sexta-feira, 27 de novembro de 2009

História do Carmelo Nossa Senhora Aparecida

Fundado em 16 de julho de 1941, o Carmelo Nossa Senhora Aparecida nasceu como milagre da Providência, que associou a Seus desígnios homens e mulheres generosos e cativados pelo ideal contemplativo do Carmelo Teresiano.





Tudo começou quando, ao assumir a recém-criada Arquidiocese de Belo Horizonte, Dom Antônio dos Santos Cabral concebeu o desejo de trazer para a capital mineira uma comunidade contemplativa que, por meio da oração perene, sustentasse a ação evangelizadora nessa Igreja particular. Nesse ínterim, Monsenhor Messias, figura destacada do clero belo-horizontino, conhece o Carmelo de Santa Teresa (Rio de Janeiro/RJ) por indicação de um jovem sacerdote, Padre Cristiano de Araújo Pena, que lhe sugerira a fundação de um Carmelo.


Empolgado com a ideia de trazer as filhas de Santa Teresa para Belo Horizonte, o zeloso Monsenhor pôs logo mãos à obra, aproveitando retiros e conferências para conscientizar o povo de Deus acerca do valor eclesial da vida contemplativa.


Em 12 de dezembro de 1939 procedeu-se ao lançamento da pedra fundamental do novo mosteiro, em um terreno doado à Arquidiocese, sob a condição de que nele fosse edificada uma capela em honra a Santa Teresinha do Menino Jesus. No entanto, as primeiras gestões com vistas à construção do Carmelo logo esbarraram na falta de recursos financeiros. Foi então que a Providência interveio por meio de Hilária Bueno Salles (Laly), jovem residente em São Paulo, que, depois de passar por dois Carmelos, precisou sair por motivos de saúde. Desejosa de realizar seu desejo de ser carmelita, comprometeu-se com o Arcebispo de Belo Horizonte a arranjar a quantia necessária à fundação, tendo como única garantia um bilhete de loteria. O que parecia temeridade realizou-se: após fazer uma novena ao Menino Jesus de Praga com seus pequenos sobrinhos, ganhou o primeiro prêmio do sorteio e pôde arcar com as despesas da fundação, assumida pela Carmelo de Santa Teresa (São Paulo / SP).


Ao grupo fundador do Carmelo Nossa Senhora Aparecida e Santa Teresinha – composto por Madre Gema da Eucaristia (Galiana Americano do Brasil), Irmã Maria de São José (Diva Antunes Carneiro), Irmã Maria Ângela do Menino Jesus (Maria Alice Hummel de Andrade), Irmã Ana de São Bartolomeu (Nazareth Maria Fargnoli) e uma postulante – logo uniram-se numerosas e generosas vocações, entre as quais Laly, que professou com o nome de Irmã Maria Gema Teresa do Menino Jesus e da Santa Face.





A semente lançada no chão de Belo Horizonte não tardou a crescer e espalhar seus ramos por outros rincões mineiros, assumindo as fundações de Divinópolis (1966), Montes Claros (1978) e Sete Lagoas (1985). A comunidade atual está composta por treze monjas (três noviças e dez professas solenes), que a cada dia buscam ser fiéis ao ideal de “viver em obséquio de Jesus Cristo”.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

O Carmelo Descalço no Brasil


A história do Carmelo Descalço em terras brasileiras encontra-se ligada à pessoa da Sra. Jacinta Ayres, filha de José Rodrigues Ayres, natural do Porto, e Maria de Lemos Pereira, do Rio de Janeiro. Nasceu aos 15 de outubro de 1715, festa de Santa Teresa de Jesus. Jacinta e sua irmã Francisca sentiram-se chamadas por Deus para a Vida Religiosa. Não tendo conventos no Brasil, seu padrasto requereu a licença de D. João V, rei de Portugal de irem a Lisboa, e ali escolherem o Convento e a Ordem que mais lhes agradasse. Quando tudo estava pronto, conversando com sua irmã sobre a longa viagem, Jacinta foi repentinamente acometida de forte acidente, caindo no chão e deslocando um quadril. Ficou impossibilitada de viajar.


Recobrando a saúde continuou a acalentar seu sonho. Eis que, um dia, voltando da Ermida do Desterro, onde costumava rezar, teve a inspiração de escolher naqueles arredores um lugar solitário, para ali com sua irmã e mais jovens que quisessem, viver segundo uma regra. Escolheu a Chácara da Bica, lugar deserto e solitário. Jacinta passou a viver numa casa que havia ali, depois de consertá-la. Sua irmã seguiu-a. Passaram a chamar-se Jacinta de São José e Francisca de Jesus Maria. A pequena casa ficou transformada em convento. Numa pequena sala, que lhes servia de coro, faziam a oração mental e rezavam o Ofício de Nossa Senhora.


Jacinta nunca tinha visto nem freira, nem convento, no entanto procedia como se tudo isto lhe fosse familiar. Deus a havia escolhido para ser a primeira discípula de Santa Teresa na América do Sul. No ano seguinte a 31 de Dezembro é inaugurada a Capela que dedicaram ao Menino Deus. Acolhendo ao conselho de Frei Manoel de Jesus, carmelita, começaram a viver desde logo a Regra do Carmo e as Constituições de Santa Teresa. Contavam com o apoio de Bispo D. Frei João da Cruz, também carmelita. Passaram-se assim seis anos. Aos poucos juntaram-se a elas outras jovens da cidade. Tinham recebido do bispo a licença de usar o hábito carmelitano. Com a aprovação do novo Bispo D. Frei Antônio do Desterro e a permissão do Governador Gomes Freire de Andrade, construíram o Convento de Santa Teresa. No dia 24 de junho de 1752, Madre Jacinta e sua comunidade passaram a viver na nova casa: Convento Santa Teresa.

domingo, 1 de novembro de 2009

Um pouco de nossa história.



A Ordem do Carmelo é muito antiga: sua origem remonta ao século XIII, quando peregrinos europeus, presentes na Terra Santa em virtude das Cruzadas, decidiram estabelecer-se no Monte Carmelo e aí viver em solidão e silêncio, a exemplo do profeta Elias, alimentando particular devoção à Mãe de Deus, razão pela qual foram chamados Irmãos da Bem-aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo. Esse grupo teve sua forma de vida aprovada em 1209, quando Santo Alberto, patriarca de Jerusalém, deu-lhe uma Regra escrita, marcada pela sobriedade (contém apenas 16 capítulos) e sintetizada no objetivo de “viver em obséquio de Jesus Cristo”.



A posterior ocupação da Palestina pelos muçulmanos fez com que os eremitas do Monte Carmelo retornassem à Europa, fundando comunidades na Inglaterra, França, Itália, Alemanha e Chipre. Aqueles monges enfrentaram não poucas dificuldades em solo europeu, tanto de natureza interna (como adaptar seu carisma contemplativo à realidade eclesial europeia, na qual então desabrochavam as Ordens mendicantes, dedicadas à pregação popular?) quanto externa (a luta pelo reconhecimento junto às autoridades eclesiásticas, que desconheciam aquela nova família religiosa).

Superadas as dificuldades e feitas as adaptações consideradas necessárias, a família carmelitana conheceu uma expansão ainda maior, multiplicando fundações por todo o Velho Continente, tanto entre os frades como entre as monjas. No entanto, em muitos casos o crescimento numérico não se fez acompanhar pelo empenho em viver com fidelidade o próprio carisma, dando origem a mitigações e concessões nem sempre em sintonia com o espírito da Regra. É verdade que foram muitas as tentativas de reforma da Ordem, porém poucas perduraram e foram tão fecundas, se comparadas à obra empreendida por Irmã Teresa de Jesus (Teresa de Cepeda y Ahumada), religiosa do Mosteiro da Encarnação de Ávila (Espanha).

Desejosa de viver uma vida carmelitana mais autêntica, Santa Teresa funda, em 24 de agosto de 1562, o Mosteiro de São José, berço da Reforma teresiana, a qual seria estendida aos frades em 1568, após o encontro com São João da Cruz (João de Yepes), na época Frei João de São Matias. Juntos, os dois santos sacrificaram suas energias em prol do ideal de “renovar a Ordem, orientando-a totalmente à oração e contemplação das coisas divinas, submetendo-a fielmente ao Evangelho e à Regra ‘primitiva’, organizada sob a base de poucos e escolhidos membros à maneira do pequeno rebanho evangélico e ‘fundando-a no recolhimento, oração e estreita pobreza’” (Constituições OCD, 5).

Após a morte dos fundadores do Carmelo Descalço, a Igreja não tardou em reconhecer a santidade de suas vidas e o valor de seus escritos, maná espiritual de cristãos (católicos ou não) de todos os tempos e lugares. Sua obra foi repetidas vezes sancionada pela Santa Igreja e regalada pelo Espírito Santo com abundantes frutos de santidade, dentre os quais destacamos a figura de Santa Teresa do Menino Jesus (1873-1897), monja do Carmelo de Lisieux (França), proclamada padroeira das missões, ao lado do missionário ad gentes Francisco Xavier, e a mais jovem Doutora da Igreja.



Santa Teresa de Jesus