domingo, 1 de novembro de 2009

Um pouco de nossa história.



A Ordem do Carmelo é muito antiga: sua origem remonta ao século XIII, quando peregrinos europeus, presentes na Terra Santa em virtude das Cruzadas, decidiram estabelecer-se no Monte Carmelo e aí viver em solidão e silêncio, a exemplo do profeta Elias, alimentando particular devoção à Mãe de Deus, razão pela qual foram chamados Irmãos da Bem-aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo. Esse grupo teve sua forma de vida aprovada em 1209, quando Santo Alberto, patriarca de Jerusalém, deu-lhe uma Regra escrita, marcada pela sobriedade (contém apenas 16 capítulos) e sintetizada no objetivo de “viver em obséquio de Jesus Cristo”.



A posterior ocupação da Palestina pelos muçulmanos fez com que os eremitas do Monte Carmelo retornassem à Europa, fundando comunidades na Inglaterra, França, Itália, Alemanha e Chipre. Aqueles monges enfrentaram não poucas dificuldades em solo europeu, tanto de natureza interna (como adaptar seu carisma contemplativo à realidade eclesial europeia, na qual então desabrochavam as Ordens mendicantes, dedicadas à pregação popular?) quanto externa (a luta pelo reconhecimento junto às autoridades eclesiásticas, que desconheciam aquela nova família religiosa).

Superadas as dificuldades e feitas as adaptações consideradas necessárias, a família carmelitana conheceu uma expansão ainda maior, multiplicando fundações por todo o Velho Continente, tanto entre os frades como entre as monjas. No entanto, em muitos casos o crescimento numérico não se fez acompanhar pelo empenho em viver com fidelidade o próprio carisma, dando origem a mitigações e concessões nem sempre em sintonia com o espírito da Regra. É verdade que foram muitas as tentativas de reforma da Ordem, porém poucas perduraram e foram tão fecundas, se comparadas à obra empreendida por Irmã Teresa de Jesus (Teresa de Cepeda y Ahumada), religiosa do Mosteiro da Encarnação de Ávila (Espanha).

Desejosa de viver uma vida carmelitana mais autêntica, Santa Teresa funda, em 24 de agosto de 1562, o Mosteiro de São José, berço da Reforma teresiana, a qual seria estendida aos frades em 1568, após o encontro com São João da Cruz (João de Yepes), na época Frei João de São Matias. Juntos, os dois santos sacrificaram suas energias em prol do ideal de “renovar a Ordem, orientando-a totalmente à oração e contemplação das coisas divinas, submetendo-a fielmente ao Evangelho e à Regra ‘primitiva’, organizada sob a base de poucos e escolhidos membros à maneira do pequeno rebanho evangélico e ‘fundando-a no recolhimento, oração e estreita pobreza’” (Constituições OCD, 5).

Após a morte dos fundadores do Carmelo Descalço, a Igreja não tardou em reconhecer a santidade de suas vidas e o valor de seus escritos, maná espiritual de cristãos (católicos ou não) de todos os tempos e lugares. Sua obra foi repetidas vezes sancionada pela Santa Igreja e regalada pelo Espírito Santo com abundantes frutos de santidade, dentre os quais destacamos a figura de Santa Teresa do Menino Jesus (1873-1897), monja do Carmelo de Lisieux (França), proclamada padroeira das missões, ao lado do missionário ad gentes Francisco Xavier, e a mais jovem Doutora da Igreja.



Santa Teresa de Jesus

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